Monitorização da lubrificação
Neste artigo trata-se da monitorização da lubrificação. Explicam-se os efeitos de excesso de lubrificante e como o evitar.
Principais problemas resultantes do excesso de lubrificação
O excesso de lubrificante numa chumaceira de rolamentos é um erro comum e pode causar vários problemas sérios. Muita gente acha que “quanto mais, melhor”, mas com rolamentos acontece o contrário. Os principais efeitos são:

Sobreraquecimento
- O rolamento passa a agitar o lubrificante em excesso (efeito churning).
- Isso aumenta o atrito interno e a temperatura.
- Temperatura alta degrada a lubrificante/óleo e reduz drasticamente a vida útil.
Aumento do atrito e do consumo de energia
- O lubrificante cria resistência à rotação.
- Motores precisam de mais potência → maior consumo elétrico.
Degradação prematura do lubrificante
- O calor acelera a oxidação da lubrificante.
- O lubrificante perde viscosidade e propriedades de proteção.
Falha prematura do rolamento
- Pode causar desgaste acelerado, micropitting e até travamento.
- Em casos extremos, leva à quebra do rolamento.
Aumento da pressão interna
- O excesso de lubrificante pode gerar pressão dentro da chumaceira.
- Isso pode danificar vedações (retentores), causando vazamentos.
Contaminação do ambiente
- Lubrificante vazando atrai poeira e partículas.
- Contaminantes entram no sistema e pioram ainda mais o desgaste.
Regra prática importante
- Rolamentos lubrificados com lubrificante: normalmente apenas 30% a 50% do volume livre deve ser preenchido.
- Alta rotação → menos lubrificante ainda.
Em campo, excesso de lubrificação em rolamentos/chumaceiras costuma dar sinais bem claros — o truque é saber “ler” o comportamento do conjunto antes que que se torne numa avaria.
Sintomas práticos de excesso de lubrificação


Temperatura anormalmente alta
- Carcaça da chumaceira quente ao toque poucos minutos após partida.
- Temperatura sobe rapidamente após relubrificação.
- Termografia mostra pontos quentes localizados no alojamento.
Excesso de lubrificante = calor crescente sem aumento de carga.
Fuga de lubrificante
- Lubrificante saindo pelos retentores ou tampas.
- “Anel” de lubrificante ao redor do eixo.
- Acúmulo de sujidade colada na carcaça.
Sinal clássico de que a pressão interna está alta demais.
Ruído diferente logo após lubrificar
- Zumbido, chiado ou som “pesado” na rotação.
- Ruído aparece imediatamente após a lubrificação, não com horas de uso.
O lubrificante está sendo batida pelo rolamento (churning).
Aumento de consumo de energia
- Motor puxa mais corrente sem mudança de carga.
- Pode ser visto em inversores, relés térmicos ou análise elétrica.
Atrito extra causado pelo excesso de lubrificante.
Cheiro de lubrificante queimado
- Odor forte próximo à chumaceira.
- Lubrificante escurecida ou endurecida ao redor.
Indica degradação térmica do lubrificante.
- Vibração de baixa frequência logo após relubrificação.
- Na análise espectral, aumento de ruído “generalizado”.
Não confundir com falha mecânica — é comum desaparecer após remover excesso.
Indícios operacionais simples (sem instrumentos)
- Equipamento “pesado” ao girar manualmente.
- Retentores estufados ou deslocados.
- Falha recorrente logo após a lubrificação, não antes.
Como confirmar rapidamente em campo
✔ Ver histórico: problema surgiu depois da lubrificante?
✔ Medir temperatura antes e depois da relubrificação
✔ Comparar com chumaceira idêntica operando normalmente
A importância da monitorização da lubrificação
A melhor prática não é “encher até sair pelos lados”, mas sim calcular o volume exato com base nas dimensões do rolamento e definir uma frequência de relubrificação. O uso de ultrassons ou vibrações durante a lubrificação é a técnica mais moderna, pois permite “ouvir” quando o rolamento atingiu o nível ideal de lubrificante.
Para isto ocorrer os lubrificadores têm de ser informados sobre a quantidade exata de lubrificante a colocar em cada chumaceira. De facto não nascem ensinados….

A seguir pode ver a gravação do webinar sobre controlo de processo de lubrificação.






