Visualization of partial discharges with ultrasound
Neste artigo descreve-se como se efetua a visualização de descargas parciais com ultrassons no âmbito de uma predictive maintenance.
O QUE SÃO AS DESCARGAS PARCIAIS
As descargas parciais (DP) são pequenas falhas elétricas internas (ou superficiais) em isolamentos, e equipamentos de ultrassons são uma das formas mais práticas de detetar, medir e localizar essas falhas — especialmente em campo.

PRINCÍPIO FÍSICO
Quando ocorre uma Descarga Parcial, ela gera:
- impulsos elétricos rápidos
- vibrações mecânicas no material isolante
- ondas acústicas de alta frequência (typically 20 a 100 kHz, acima da audição humana)
Os sensores de ultrassons captam essas ondas e as convertem em sinais elétricos analisáveis.
Os ultrassons medem:
- Nível de pressão sonora
- dBµV, dB SPL ou unidades relativas do fabricante
- Energia acústica
- Padrão temporal do sinal
- Frequência dominante
That is: é uma medição indireta, excelente para tendência e comparação, não para valor absoluto normalizado.
VISUALIZAÇÃO DE DESCARGAS PARCIAIS COM ULTRASSONS – COMO EFETUAR
A visualização pode ser feita de várias formas:
Valor numérico
- Intensidade do sinal ultrassônico (quanto maior, maior a atividade de DP)
Gráfico no tempo
- Pulsos repetitivos sincronizados com a rede elétrica indicam DP
- Ruídos aleatórios costumam ser interferência mecânica
Frequency spectrum
- Descargas parciais têm “assinaturas” típicas
- Corona, tracking e arco apresentam padrões diferentes
Localização espacial
- Movendo o sensor e comparando níveis com medidors de ultrassons simples
- No SONASCREEN: triangulação acústica (BEAMFORMING)
A CÂMARA ACÚSTICA SONASCREEN PARA VISUALIZAÇÃO DE DESCARGAS PARCIAIS COM ULTRASSONS

A câmara acústica portátil SONASCREEN 2 é a ferramenta para a visualização de descargas parciais com ultrassons.
A câmara acústica portátil SONASCREEN 2 gera imagens acústicas a partir da gama de frequências audíveis e de ultrassons. O dispositivo localiza fontes de som em tempo real e apresenta os resultados imediatamente no ecrã. Besides that, a câmara fornece um feedback audível através de auscultadores industriais. Tornamos os ultrassons audíveis e visíveis.
- Detecção fiável de fugas e descargas parciais, mesmo em ambientes industriais ruidosos e com fontes de som maiores presentes
- Matriz otimizada com 176 microfones e imagem acústica a 100 fps para resultados precisos em tempo real

- Módulo de imagem térmica (AND) integrado para um diagnóstico e análise mais abrangentes dos eventos gravados
- Software integrado de aquisição e análise de dados
- Resultados acústicos em tempo real a 100 fps
- Ampla gama de frequências (2 kHz – 100 kHz) para a deteção de sons audíveis e ultrassons
- Feedback acústico através de auscultadores industriais
- Dispositivo portátil com proteção IP54 (à prova de salpicos)
- 8 botões configuráveis para um controlo rápido
- Peso reduzido e tamanho pequeno
- Detecção de fontes sonoras em movimento rápido graças a uma alta resolução de 100 fps e obturador global
- Gravação e análise aprofundadas: a única câmara que permite o processamento posterior dos dados brutos gravados
- Dispositivo portátil: baixo peso, excelente ergonomia e tamanho compacto
- 8 botões configuráveis para um fluxo de trabalho intuitivo
- 4 modos diferentes com configurações predefinidas para uma operação intuitiva sem necessidade de formação extensiva
- IP 54 / proteção contra água e poeira: microfones encapsulados adequados para uso industrial
- Ecrã HD multitoque de 7 polegadas
COMO UTILIZAR O SONASCREEN PARA VISUALIZAÇÃO DE DESCARGAS PARCIAIS COM ULTRASSONS
No vídeo a seguir apresentado vê-se como se utiliza este equipamento para a visualização de descargas parciais com ultrassons.
ONDE A TÉCNICA DE MEDIÇÃO DE ULTRASSONS É MAIS EFICAZ
Esta técnica é mais eficaz nos seguintes equipamentos:
- Subestações energizadas
- Painéis de média e alta tensão
- Isoladores, buchas e chaves seccionadores
- GIS (em conjunto com UHF)
- Transformers (com sensores de contato)
limitations:
- Sensível a ruído mecânico (vento, engines, vibration)
- Não substitui ensaios elétricos em laboratório
- Depende muito da experiência do operador
Fluxo típico de trabalho:
- Equipamento energizado
- Visualização com sensor de ultrassons
- Identificação de pontos com maior intensidade
- Comparação com histórico (trend)
Confirmação com outros métodos (UHF, electric, thermography)
COMO DIFERENCIAR CORONA, TRACKING E ARCO COM ULTRASSONS
O som é uma das formas mais rápidas de distinguir corona, tracking e arco quando se usa ultrassom. Cada um tem uma “assinatura acústica” típica.
CORONA
Consiste na ionização do ar ao redor de condutores energizados (geralmente pontas, arestas, screws).
Som característico
- Chiado contínuo
- Lembra vazamento de gás ou “ssssss”
- Muito estável no tempo
Assinatura no ultrassom
- Frequency: 30–60 kHz
- Amplitude: baixa a média
- Sinal constante, pouco pulsante
- Normalmente sincronizado com a tensão
Onde aparece
- Barramentos
- Conectores
- Pontas metálicas
- Isoladores em ambientes húmidos
Quando se afasta a camara e o som diminui suavemente, costuma ser corona.
TRACKING
Consiste em descargas superficiais que “caminham” sobre o isolamento contaminado (dust, sal, humidity).
Som característico
- Crepitação
- Tipo fritura, “crec-crec-crec”
- Intermitente
Assinatura no ultrassom
- Frequency: 20–80 kHz
- Amplitude: variável
- Pulsos irregulares
- Evolui com o tempo (fica mais intenso)
Onde aparece
- Isoladores sujos
- Buchas
- Terminações de cabos
- Superfícies com umidade + Contamination
In practice, se o nível do som “pula” e muda de intensidade → tracking.
ARCO ELÉTRICO
O arco elétrico consiste numa descarga completa entre dois potenciais (falha grave).
O som característico é:
- Estalos fortes
- “PÁ! TÁ! CRACK!”
- Pode ser assustador
Assinatura no ultrassom
- Frequency: larga (wideband)
- Amplitude: muito alta
- Pulsos violentos e aleatórios
- Não precisa estar sincronizado com a rede
Onde aparece
- Conexões frouxas
- Contatos defeituosos
- Chaves e disjuntores
- Falhas avançadas de tracking
Na prática se o sinal satura o equipamento → arco iminente ou ativo. Atenção à segurança.
Resumo rápido
| Type | Som | Comportamento | Gravity |
| Corona | Chiado contínuo | Stable | ⚠ Baixa |
| Tracking | Crepitação | Irregular | ⚠⚠ Média |
| Arco | Estalos secos | Explosivo | 🚨 Alta |
É muito importante nunca usar só o ouvido ou só o valor numérico. Deve-se também combinar:
- Som nos auscultadores
- Gráfico no tempo
- Frequency spectrum
Inspeção visual e termografia

COMO O PADRÃO MUDA AO LONGO DO TEMPO (DE CORONA → TRACKING → ARCO)
A tendência do comportamento é muito importante para o diagnóstico preditivo. In practice, corona, tracking e arco não são eventos isolados, mas estágios de degradação do isolamento, como se pode ver no esquema a seguir apresentado.
Seguidamente mostra-se como o padrão acústico (ultrassom) evolui ao longo do tempo e o que observar em campo.
Estágio 1 – Corona (início da degradação)
Condição do isolamento: ainda íntegro, mas com campo elétrico concentrado.
Som
- Chiado suave e contínuo
- Muito repetitivo
Padrão no ultrassom
- Frequência dominante: 30–60 kHz
- Amplitude: baixa e estável
- Pouca variação ao longo dos dias/semanas
O que está acontecendo fisicamente
- Ionização do ar
- Produção de ozono e NOx
- Ataque químico lento ao isolamento
Risco
- Baixo no curto prazo
- Alto, no longo prazo, se ignorado
Sinal clássico: o valor em dB sobe devagar mês a mês.
Estágio 2 – Tracking (degradação ativa)
Condição do isolamento: superfície já contaminada e carbonizada.
Som
- Crepitação irregular
- “Fritura elétrica”
Padrão no ultrassom
- Banda mais larga (20–80 kHz)
- Amplitude flutuante
- Pulsos intermitentes, não uniformes
O que está acontecendo fisicamente
- Formação de caminhos condutivos
- Descargas superficiais repetidas
- Aquecimento localizado
Risco
- Moderado a alto
- Pode evoluir rápido (dias ou semanas)
Sinal clássico: gráfico “nervoso”, com picos que aparecem e desaparecem.
Estágio 3 – Arco (falha iminente ou ativa)
Condição do isolamento: rompido ou quase rompido.
Som
- Estalos secos e fortes
- Sons impulsivos
Padrão no ultrassom
- Espectro wideband
- Amplitude muito alta
- Saturação do sensor
- Pulsos caóticos
O que está acontecendo fisicamente
- Canal ionizado permanente
- Corrente elevada
- Erosão térmica e mecânica
Risco
- Crítico
- Pode causar explosão, incêndio ou desligamento imediato
Sinal clássico: aumento abrupto do nível ultrassônico em pouco tempo.
A evolução típica ao longo do tempo é a seguinte:
Corona ────────► Tracking ───► Arco
(anos/meses) (semanas) (horas/dias)
Isto aparece no histórico de medições da seguinte forma:
- Corona: curva suave, crescimento lento
- Tracking: curva irregular, com saltos
- Arco: salto quase vertical
Por isso tendência é mais importante que valor absoluto quando se medem ultrassons.
A ação recomendada em cada em cada estágio é a seguinte:
| Estágio | Ação recomendada |
| Corona | Monitorar + correção geométrica |
| Tracking | Limpeza, secagem, substituição planejada |
| Arco | Immediate intervention |
A regra prática de campo é a seguinte:
Som contínuo = tempo para planear
Som intermitente = agir logo
Som explosivo = parar tudo
EXEMPLOS REAIS DE TENDÊNCIA EM DB
A seguir vêm-se exemplos de como a tendência em dB aparece na prática, da forma que se vê em inspeções com ultrassons conforme IEC 62478.
Importante: os valores são reais/típicos de campo, mas sempre relativos ao equipamento e ganho usado.
Example 1 — Corona estável (situação controlada)
Histórico (mesmo ponto, mesma regulagem)
| Month | Nível ultrassônico |
| Janeiro | 18 dB |
| Fevereiro | 19 dB |
| Março | 20 dB |
| Abril | 20 dB |
O que se ouve
- Chiado contínuo
- Som limpo, sem estalos
Interpretação
- Crescimento lento e previsível
- Enquadramento IEC: atividade inicial de DESCARGA PARCIAL
- Ação: monitorar
Assinatura clássica de corona
Curva quase reta, sem picos.
Example 2 — Corona → Tracking (degradação em curso)
Histórico
| Semana | Level |
| S1 | 22 dB |
| S2 | 24 dB |
| S3 | 29 dB |
| S4 | 27 dB |
| S5 | 33 dB |
O que se ouve
- Chiado + crepitação ocasional
- Sons intermitentes
Interpretação
- Aumento não linear
- Flutuações → contaminação / umidade
- Enquadramento IEC: Descarga parcial superficial (tracking)
Alerta amarelo
Aqui muita gente erra achando “normal” porque o valor às vezes cai.
Example 3 — Tracking avançado (pré-falha)
Histórico
| DMC will be present at the | Level |
| D1 | 30 dB |
| D2 | 36 dB |
| D3 | 34 dB |
| D4 | 41 dB |
| D5 | 45 dB |
O que se ouve
- Fritura forte
- Pulsos frequentes
Interpretação
- Tendência acelerada
- Grande variabilidade
- Enquadramento IEC: degradação ativa do isolamento
Janela curta de intervenção
Planejar parada agora, não no próximo ciclo.
Example 4 — Salto abrupto → Arco iminente
Histórico
| Hour | Level |
| 08:00 | 38 dB |
| 10:00 | 40 dB |
| 12:00 | 58 dB |
| 12:05 | Saturação |
O que se ouve
- Estalos secos
- Sons explosivos
Interpretação
- Aumento quase vertical
- Fora do regime de descarga parcial (IEC 60270)
- Arco elétrico ativo ou iminente
Ação imediata
Como desenhar mentalmente as curvas
Corona: ────────╮
Tracking: ──╮─╯╮─╯╮
Arco: ────│││⬆
Critérios práticos (usados em campo)
✔ +2 a 3 dB lentos → envelhecimento normal
⚠ +5 a 10 dB em semanas → tracking
🚨 +10 dB em horas/dias → arco iminente
(desde que regulagem, sensor e distância sejam constantes)
Regra de ouro para relatórios IEC
Nunca escrever:
“o valor atingiu 35 dB, portanto está crítico”
Escrever sempre:
“observou-se aumento de 13 dB em relação à medição de referência, indicando progressão da atividade de descarga parcial conforme a IEC 62478”
OS ULTRASSONS NAS NORMAS IEC
Visão geral de onde o ultrassom entra nas IEC
As normas IEC não substituem o método elétrico clássico, mas reconhecem o ultrassom como método complementar, sobretudo para:
- inspeções on-line
- equipamentos energizados
- diagnóstico qualitativo + trend
As principais são:
- IEC 60270
- IEC 62478
IEC 60270 — a base (método elétrico)
O que ela diz:
- Define descarga parcial como impulsos medidos em pC
- Método convencional elétrico
- Ambiente controlado (laboratório)
Ligação com corona / tracking / arco
- A IEC 60270 não classifica pelo “som”
- Ela fornece o referencial físico da descarga parcial
- Corona e tracking aparecem como padrões de pulsos elétricos
- Arco geralmente já ultrapassa o escopo de descarga parcial
A tradução na prática é a seguinte:
Use a IEC 60270 como referência teórica, mas não tente forçar pC em medições ultrassónicas.
IEC 62478 — onde o ultrassom entra oficialmente
Essa é a norma-chave para o que se descreveu.
O que ela reconhece:
- Ultrassom como método não convencional
- Uso em detecção, localização e análise de tendência
- Avaliação qualitativa da atividade de descarga parcial
Ligação direta com os estágios
Corona
- IEC 62478: Descarga parcial de baixa energia
- Ultrassom:
- sinal contínuo
- banda estreita
- Classificação: atividade inicial de descarga parcial
Descrito como:
“atividade de Descarga Parcial incipiente detectada pelo método acústico”
Tracking
- IEC 62478: Descarga parcial superficial
- Associada a:
- Contamination
- envelhecimento do isolamento
- Ultrassom:
- pulsos irregulares
- banda mais larga
Descrito como:
“atividade de Descarga Parcial superficial com degradação progressiva do isolamento”
Arco
- Aqui é crucial
A IEC deixa claro:
O arco elétrico já não é descarga parcial
- Ultrassom:
- saturação
- impulsos caóticos
- Classificação normativa:
- falha dielétrica
- condição anormal de operação
A linguagem correta a utilizar é a seguinte:
“emissão acústica compatível com arco elétrico (além da fase de Descarga Parcial)
Como escrever isto corretamente num relatório IEC
Exemplo de texto 100% alinhado às normas:
“Foi detetada atividade acústica compatível com descargas parciais, conforme métodos não convencionais reconhecidos pela IEC 62478.
O padrão evolutivo do sinal indica progressão de ionização gasosa (corona) para descargas superficiais (tracking), com risco de transição para arco elétrico, condição que ultrapassa o regime de DESCARGA PARCIAL definido na IEC 60270.”
Tabela-Resumo (de acorod com IEC)
| Estágio | Enquadramento IEC | Situação |
| Corona | Descarga parcial gasosa | Monitorável |
| Tracking | Descarga parcial superficial | Degradação ativa |
| Arco | Falha dielétrica | Fora do regime DESCARGA PARCIAL |
Erros comuns a evitar
DESCARGA PARCIAL medida em dB”
Valor absoluto de descarga por ultrassom”
Correto:
- nível relativo
- trend
- correlação com IEC 60270
Regra de ouro normativa
IEC 60270 define o que é DESCARGA PARCIAL
IEC 62478 define como detetar fora do laboratório





