Deslocamento pico-pico das vibrações maior que folga diametral
Neste artigo fala-se como o deslocamento pico-pico das vibrações maior que folga diametral. De facto, explica-se como a amplitude do deslocamento pico pico das vibrações medidas com um proximitor, num veio numa chumaceira de filme fluido, numa turbo máquina, pode ser maior que a folga diametral do veio na chumaceira.

A situação em que a amplitude de vibração pico-a-pico medida por um proximitor é maior que a folga diametral de um veio numa chumaceira de filme fluido (hidrodinâmica) é normal e tem explicações claras na dinâmica rotor–chumaceira.
1 – O proximitor mede o deslocamento relativo veio–estrutura, não apenas o movimento dentro da chumaceira
A chave é perceber que o sensor mede o movimento relativo do veio em relação à sonda, mas não mede diretamente o movimento relativo do veio dentro da folga.
O proximitor está fixo à carcaça da máquina (stationary), mas o veio vibra em relação à carcaça, enquanto a órbita real do veio dentro da chumaceira é limitada pela folga radial.
Like this, o movimento resulta da soma de:
- Movimento do veio
- Movement (flexão) da estrutura da chumaceira ou do suporte
- Deslocamentos dinâmicos do rotor (whirl, whip, modos próprios)
O sensor não distingue estas componentes.
2 – O movimento do rotor não é limitado pela folga – só o centro geométrico é
A folga radial (metade da folga diametral) limita onde o centro do veio pode estar dentro da chumaceira, mas a superfície exterior do veio pode deslocar-se muito mais quando o rotor flete (modo de vibração), porque a flexão aumenta a excentricidade da superfície, mesmo que o centro permaneça dentro da folga.
That is:
- Centro do veio: limitado pela folga
- Superfície do veio (o que o proximitor vê): pode mover-se muito além da folga
3 – Whirl e oil-whip podem produzir amplitudes superiores à folga
Vibrações autoexcitas como:
- oil whirl (≈ 0,42×RPM)
- oil whip (travado numa frequência próxima da frequência natural)
podem causar grandes amplitudes na superfície do rotor, especialmente quando o rotor entra em ressonância.
In such cases, a amplitude pode exceder várias vezes a folga da chumaceira.
4 – Modos de flexão do rotor em rotores alta velocidade
Quando o rotor entra em modo próprio (1º modo, 2º modo, etc.), a vibração não é um simples deslocamento rígido do veio dentro da folga.
Ele deforma-se, e um ponto onde o proximitor está a medir pode deslocar-se bastante, excedendo largamente a folga radial.
5 – Pequeno movimento do apoio → grande erro na medição
Se a carcaça ou o suporte do proximitor vibra até 10–20 μm (muito comum em máquinas grandes), isso aparece como “vibração adicional” no sinal.
Example:
- Movimento real do veio: 50 μm pk-pk
- Movimento da estrutura onde o sensor está montado: 20 μm pk-pk
O proximitor mostra:

That is: diferença de 40% sem que o veio tenha aumentado a vibração.
6 – O movimento da estrutura pode estar desfasado
O movimento do apoio pode estar:
- na mesma fase
- em oposição de fase
- com um ângulo qualquer
Isto pode:
✔ aumentar a amplitude medida
✔ reduzir a amplitude medida
✔ causar rotações anómalas na órbita
✔ alterar a fase aparente
✔ produzir o efeito de “vibração maior que a folga”
7 – Modos estruturais influenciam a leitura
Quando a carcaça, base ou suporte entra em ressonância, o movimento do apoio dos proximitors pode ficar muito maior, criando leituras enganosas.
Consequências típicas:
- Picos de amplitude “misteriosos” em frequências que não são do rotor
- Mudanças bruscas de fase
- Órbitas deformadas ou em figura de 8
- Aumento da vibração num sentido mas não no outro (por causa de modos estruturais direcionais)
8 – Em chumaceiras de filme fluido o problema é relevante
Nas chumaceiras hidrodinâmicas a carcaça:
- Vibra com modos próprios diferentes dos do rotor
- Pode amplificar vibrações por cargas hidráulicas
- Tem baixa rigidez em certas direções
Isto aumenta ainda mais o erro da medição relativa dos proximitors.
9 – Como isto pode causar amplitude maior que a folga
Se o suporte do proximitor vibra 30–40 μm pk-pk, o deslocamento medido pode parecer enorme.
Exemplo real:
- Folga radial: 0,10 mm
- Vibração real do centro do veio: 60 μm pk-pk
- Vibração da estrutura no ponto do proximitor: 40 μm pk-pk
Leitura aparente do proximitor:

Se estiver em oposição de fase pode ainda dar mais.
Logo o proximitor pode mostrar mais que a folga mesmo sem contacto ou problemas graves no rotor.
10 -Representação gráfica
Na figura a seguir apresentada ilustra-se o efeito da combinação da vibração do veio, com a vibração do ponto onde o proximitor está montado, no resultado da medição.
10 Sintomas de que as vibrações do suporte do proximitor estão a influenciar as suas medidas
Os sintomas de que as vibrações do suporte do proximitor estão a influenciar as suas medidas são:
- Mudança de fase incompatível com fenómenos no veio
- Órbita medida com forma “estranha” ou “borrada”
10.1 Mudança de fase incompatível com fenómenos no veio
A vibração real do veio numa chumaceira de filme fluido tem uma fase muito estável (normalmente associada ao desequilíbrio).
Mas caso se observe:
- Fase a variar com carga, temperatura ou arranque
- Fase instável entre sensores opostos
- Órbitas distorcidas ou “flutuantes”
Indica fortemente movimento na carcaça.
10.2 Órbita medida com forma “estranha” ou “borrada”
Movimento da carcaça causa órbitas:
- Com centro deslocado
- Achatadas em direções não usuais
- Altamente excêntricas
- Com “loops” inesperados
Se a órbita não corresponde ao típico comportamento óleo-hidrodinâmico (oil whirl/whip), há participação da carcaça.
11. Testes diretos para confirmar influência da carcaça
11.1. Medição simultânea: proximitor + acelerómetro na mesma direção
Se a fase ou forma de onda do proximitor “segue” a vibração da carcaça isto é uma prova direta de contaminação na medição.
11.2. Comparação entre proximitores opostos (X e Y)
Se a soma quadrática (magnitude) varia com temperatura, carga ou rigidez estrutural da carcaça a causa está na structure, não no veio.
11.3 Análise modal e Bode
Se o proximitor mostra:
- amplitude crescente perto da frequência natural da estrutura
- fase típica de um sistema massa-mola
- enquanto o veio não tem fenómenos correspondentes (sem oil whirl/whip nesta frequência)
É a carcaça a vibrar, não o veio.
