Absorsor Dinâmico
Este artigo trata do tema de Sistemas Mecânicos com 2 Graus de Liberdade e o Absorsor Dinâmico. A compreensão deste assunto é essencial para os técnicos que se dedicam Vibration Analysis.
1. Introduction
Os sistemas mecânicos com dois graus de liberdade constituem uma extensão fundamental dos sistemas de um grau de liberdade e permitem compreender fenómenos dinâmicos que não podem ser adequadamente descritos considerando apenas uma massa e um movimento independente. A introdução de uma segunda massa, ligada à primeira através de elementos elásticos e/ou dissipativos, origina fenómenos de acoplamento, modos próprios de vibração, anti-ressonâncias e transferência de energia entre os diferentes componentes do sistema.
Uma das aplicações mais importantes deste conceito é o absorsor dinâmico de vibrações, ou absorsor de vibração sintonizado. Este dispositivo utiliza uma massa auxiliar, normalmente ligada à estrutura principal através de uma mola e, em algumas configurações, de um amortecedor, para reduzir significativamente a vibração de um sistema submetido a uma excitação periódica.
O princípio é particularmente importante em estruturas, equipamentos industriais e sistemas sujeitos a forças periódicas. Em vez de tentar aumentar indefinidamente a rigidez ou o amortecimento da estrutura principal, o absorsor dinâmico introduz deliberadamente uma segunda dinâmica no sistema, de forma a controlar a resposta vibratória.
Nomenclatura
A tabela seguinte resume os símbolos utilizados ao longo deste artigo.
| Símbolo | Significado |
| m₁ | Massa da estrutura/máquina principal |
| m₂ | Massa auxiliar do absorsor dinâmico |
| k₁, c₁ | Rigidez e amortecimento entre a base fixa e m₁ |
| k₂, c₂ | Rigidez e amortecimento entre m₁ e m₂ (absorsor) |
| x₁(t), x₂(t) | Deslocamentos instantâneos de m₁ e m₂ |
| F(t), F₀ | Força de excitação aplicada a m₁, e respetiva amplitude |
| ω | Frequência angular de excitação |
| ωₙ | Frequência natural do sistema de 1 GDL, √(k₁/m₁) |
| ωₐ | Frequência natural do absorsor, √(k₂/m₂) |
| ω₁, ω₂ | natural frequencies (own modes) do sistema de 2 GDL, com ω₁ < ω₂ |
| μ | Razão de massas, m₂/m₁ |
| ζ₂ | Razão de amortecimento do absorsor |
| r | Razão de frequências, ω/ωₙ ou ω/ωₐ, consoante o contexto |
2. Sistema mecânico de um grau de liberdade
Antes de analisar o sistema de dois graus de liberdade, considere-se uma massa m₁, ligada a uma mola de rigidez k₁ e a um amortecedor c₁, submetida a uma força harmónica:
F(t) = F₀ sin(ωt)
A equação de movimento é:
m₁ ẍ₁ + c₁ ẋ₁ + k₁ x₁ = F₀ sin(ωt)
Na ausência de amortecimento, a frequência natural do sistema é:
ωₙ = √(k₁/m₁)
Quando a frequência de excitação se aproxima de ωₙ, ocorre o fenómeno de resonance, caracterizado por um aumento significativo da amplitude de vibração.
Este comportamento constitui o problema que o absorsor dinâmico procura resolver.

Figure 1 – Sistema mecânico de 1 grau de liberdade e respetiva resposta em frequência
3. Introdução do segundo grau de liberdade
Considere-se agora uma segunda massa m₂, ligada à massa principal m₁ através de uma mola k₂ e de um amortecedor c₂.
O sistema passa a possuir dois deslocamentos independentes:
x₁(t) e x₂(t)
correspondentes aos movimentos das massas m₁ e m₂.
A configuração básica pode ser representada por:
Base – (k₁,c₁) – m₁ – (k₂,c₂) – m₂
A massa m₁ representa a estrutura ou máquina principal, enquanto m₂ constitui a massa auxiliar do absorsor.
As equações diferenciais do movimento são:
m₁ẍ₁ + c₁ẋ₁ + k₁x₁ + c₂(ẋ₁−ẋ₂) + k₂(x₁−x₂) = F₀ sin(ωt)
m₂ẍ₂ + c₂(ẋ₂−ẋ₁) + k₂(x₂−x₁) = 0
Estas duas equações mostram uma característica essencial: os movimentos das duas massas estão acoplados.
O movimento da massa principal influencia a massa auxiliar e, simultaneously, a massa auxiliar exerce uma força dinâmica sobre a massa principal.

Figure 2 – Sistema mecânico de 2 graus de liberdade e respetiva resposta em frequência
4. Matriz de massa, amortecimento e rigidez
A formulação matricial permite representar o sistema de forma compacta:
M ẍ + C ẋ + K x = F(t)
com:
x = [x₁ x₂]ᵀ
M = [[m₁, 0], [0, m₂]]
C = [[c₁+c₂, −c₂], [−c₂, c₂]]
K = [[k₁+k₂, −k₂], [−k₂, k₂]]
A representação matricial é particularmente importante porque constitui a base da análise modal de sistemas mecânicos com múltiplos graus de liberdade.
5. Modos próprios de vibração
Um sistema com dois graus de liberdade possui, in general, duas frequências naturais e dois modos próprios de vibração.
Na ausência de amortecimento e de forças externas:
M ẍ + Kx = 0
Assumindo uma solução harmónica:
x = φe^(jωt)
obtém-se:
(K − ω²M)φ = 0
Para existir uma solução não trivial:
det(K − ω²M) = 0
Esta equação fornece duas frequências naturais:
ω₁ e ω₂
com:
ω₁ < ω₂
Cada frequência está associada a um modo próprio e a uma forma específica de movimento relativo entre as duas massas.
Cada modo próprio corresponde a um vetor próprio (razão fixa entre as amplitudes x₁/x₂) e a uma frequência própria (valor próprio) of the system. Qualquer vibração livre do sistema, por mais complexa que pareça, pode ser escrita como uma combinação linear destes dois modos.
| Modo 1 — simétrico (em fase), ω₁ (frequência mais baixa) As setas por cima de m₁ e m₂ apontam no mesmo sentido e têm o mesmo comprimento: as duas massas oscilam em uníssono, com a mesma amplitude e a mesma fase. Como a mola central k₂ praticamente não se deforma (a distância entre m₁ e m₂ mantém-se quase constante), este modo tem a frequência natural mais baixa. | Modo 2 — antissimétrico (oposição de fase), ω₂ (frequência mais alta) As setas apontam em sentidos opostos: quando m₁ se move para um lado, m₂ move-se para o lado contrário. Aqui a mola de acoplamento k₂ é a que mais se deforma, what “endurece” o modo e resulta numa frequência natural mais alta. |
Figure 3 — Modos próprios de um sistema com 2 GDL
6. Acoplamento dinâmico
O aspeto fundamental de um sistema de dois graus de liberdade é o acoplamento dinâmico.
Quando a massa principal começa a vibrar, a massa auxiliar não permanece necessariamente estacionária. On the contrary, desenvolve um movimento próprio determinado pela frequência de excitação e pelas características de m₂, k₂ e c₂.
A energia vibratória pode, therefore, ser transferida da massa principal para a massa auxiliar.
Este fenómeno constitui a base física do absorsor dinâmico.
Em determinadas condições, a massa auxiliar pode desenvolver uma força dinâmica sobre a massa principal que se opõe à força de excitação. O resultado pode ser uma redução muito significativa da amplitude de vibração da estrutura principal.

Figure 4 – Acoplamento dinâmico num sistema com 2GL
O sistema acoplado
A massa principal m₁, apoiada em k₁ e c₁ sobre um apoio fixo, sujeita à força de excitação externa F(t). Sobre m₁ está montada a massa auxiliar m₂, ligada por k₂ e c₂ — os três parâmetros que, determinam “o movimento próprio” que m₂ desenvolve quando m₁ começa a vibrar. Duas anotações traduzem diretamente as ideias-chave do texto: One seta curva a roxo, tracejada, sai do interior de m₁ e entra em m₂, rotulada “transferência de energia vibratória” — representa a energia que passa da massa principal para a auxiliar através do acoplamento k₂/c₂. A seta F₂ (red), no topo de m₁, aponta em sentido oposto a F(t) (laranja) — representa a força dinâmica que m₂ desenvolve sobre m₁, “que se opõe à força de excitação”, como diz o texto.
A consequência prática
Um gráfico de amplitude X₁ em função da frequência ω compara duas situações: A curva cinzenta tracejada (“sem absorsor”) mostra um único pico de ressonância alto — o comportamento da massa principal isolada, sem m₂. A curva verde sólida (“com absorsor”) mostra a mesma faixa de frequências, mas com dois picos mais baixos e um vale profundo exatamente em ω = ω₂ (a frequência de sintonia do absorsor) — a assinatura clássica do acoplamento dinâmico funcionando: nessa zona, a amplitude de m₁ cai drasticamente.
7. O absorsor dinâmico
Um absorsor dinâmico convencional é constituído por:
- uma massa auxiliar m₂;
- uma mola k₂;
- eventualmente um amortecedor c₂.
A sua frequência natural própria é aproximadamente:
ωₐ = √(k₂/m₂)
O princípio de funcionamento consiste em sintonizar esta frequência com a frequência de excitação que se pretende atenuar.
Like this:
ωₐ ≈ ωexc
Quando esta condição é satisfeita, a massa auxiliar entra numa condição de movimento particularmente eficaz para gerar uma força dinâmica de oposição sobre a massa principal.
| Princípio do absorsor dinâmico | Fotografia de um absorsor dinâmico aplicado numa tubagem para reduzir vibrações |
Figure 5 – O absorsor dinâmico
8. Como ocorre a redução da vibração?
Considere-se uma estrutura sujeita a uma força periódica:
F(t) = F₀ sin(ωt)
Sem absorsor, a resposta da estrutura pode apresentar uma grande amplitude quando:
ω ≈ ωₙ
Ao instalar um absorsor sintonizado, introduz-se uma segunda frequência natural no sistema.
Em vez de existir uma única região de ressonância dominante, o sistema passa a apresentar duas frequências naturais próximas da frequência de sintonia do absorsor.
Entre estas duas frequências surge uma anti-ressonância, na qual o movimento da massa principal pode ser teoricamente reduzido a zero no caso ideal não amortecido e com sintonia perfeita.
Este é um dos resultados mais importantes da teoria dos absorsores dinâmicos.
9. Anti-ressonância
A anti-ressonância é particularmente interessante porque corresponde a uma frequência na qual a resposta da massa principal apresenta um mínimo muito pronunciado.
Physically, a força transmitida pelo absorsor apresenta uma componente que se opõe à força de excitação.
Pode interpretar-se o fenómeno através do equilíbrio dinâmico:
Fexcitação + Fabsorsor ≈ 0
e, consequently,
x₁ ≈ 0
Embora a massa principal apresente uma amplitude muito pequena, a massa auxiliar pode apresentar uma amplitude relativamente elevada.
Isto significa que o absorsor não elimina a energia vibratória. Ele modifica o caminho através do qual essa energia é armazenada e transferida no sistema.

Figure 6 – A colocação do absorsor dinâmico gera uma anti-ressonância
10. Relação entre ressonância e anti-ressonância
A resposta em frequência de um sistema com absorsor apresenta, typically, a seguinte sequência:
ressonância → anti-ressonância → ressonância
O sistema que originalmente possuía uma ressonância dominante passa a apresentar duas ressonâncias separadas por uma região de resposta muito reduzida.
Esta característica é frequentemente designada por divisão da ressonância (resonance splitting).
O objetivo do projeto do absorsor é posicionar adequadamente estas frequências e controlar a amplitude máxima da resposta.
| Apenas a massa principal m₁, apoiada em k₁ e c₁ sobre a base fixa. Como o sistema está em ressonância e não há nada a contrariar a excitação, m₁ oscila com amplitude muito grande — visualmente o bloco sobe e desce quase até tocar a seta F(t) e quase até ao chão. | A mesma massa m₁, mas agora com a massa auxiliar m₂ montada por cima, ligada por k₂ e c₂. Sob a mesma F(t), m₁ mal se mexe (oscilação quase impercetível), enquanto m₂ oscila com amplitude grande, in phase opposition — quando F(t) empurra para baixo, m₂ sobe, e vice-versa. É essa oscilação de m₂, transmitida de volta a m₁ através da mola k₂, que gera a força que cancela F(t) e mantém a estrutura principal quase parada. |
Figure 7 – O absorsor dinâmico em funcionamento
11. Absorsor dinâmico não amortecido
No modelo ideal, considera-se:
c₂ = 0
A resposta pode apresentar uma anti-ressonância extremamente profunda quando o absorsor está perfeitamente sintonizado.
Yet, este sistema apresenta uma limitação importante: a eficácia é muito dependente da frequência de excitação.
Se a frequência da máquina se afastar da frequência de sintonia:
ωexc ≠ ωₐ
a eficiência do absorsor diminui.
Consequently, um absorsor não amortecido é particularmente adequado para aplicações nas quais a frequência de excitação é praticamente constante.
12. Absorsor dinâmico amortecido
In practice, pode introduzir-se um amortecedor:
c₂ > 0
O amortecimento altera a resposta do sistema e reduz a sensibilidade do absorsor a variações da frequência de excitação.
Existe, Yet, um compromisso de projeto.
- Um amortecimento demasiado baixo produz uma região de elevada eficácia muito estreita.
- Um amortecimento excessivo pode reduzir a profundidade da anti-ressonância.
O projeto deve, therefore, procurar um valor de amortecimento que permita obter uma redução adequada da resposta numa determinada banda de frequências.

Figure 8 – A influência do amortecimento do absorsor dinâmico
12.1 Sintonia e amortecimento ótimos (método dos pontos fixos)
Para um absorsor amortecido (c₂ > 0) montado sobre uma estrutura principal não amortecida (c₁ = 0), a teoria clássica dos absorsores dinâmicos — desenvolvida por J. P. Den Hartog — mostra que existe uma combinação ótima entre a razão de sintonia e a razão de amortecimento do absorsor que minimiza a amplitude máxima da massa principal, para uma dada razão de massas μ = m₂/m₁.
A razão de sintonia ótima é:
f_opt = ωₐ/ωₙ = 1 / (1 + μ)
that is, o absorsor deve ser ligeiramente dessintonizado para uma frequência um pouco abaixo de ωₙ. A razão de amortecimento ótima correspondente é:
ζ₂,opt = √[ 3μ / (8(1+μ)³) ]
e a amplitude adimensional máxima que a massa principal ainda assim atinge, nos dois picos que restam, is:
(X₁k₁/F₀)_max = √(1 + 2/μ)
Estas expressões definem os chamados “pontos fixos” da resposta em frequência: dois pontos da curva de amplitude que, por propriedade da função de transferência, têm sempre a mesma amplitude, qualquer que seja o valor de ζ₂. O amortecimento ótimo é precisamente aquele que faz esses dois pontos fixos coincidirem com os dois máximos locais da curva de resposta — a condição ilustrada no painel C (“amortecimento ótimo”) from Figure 8.
Note-se que estas fórmulas assumem c₁ = 0; em sistemas com amortecimento estrutural significativo na massa principal, os valores ótimos devem ser obtidos por otimização numérica.
13. Razão de massas
Um parâmetro importante no projeto de um absorsor é a razão de massas:
μ = m₂/m₁
Quanto maior for a massa auxiliar relativamente à massa principal, maior tende a ser a capacidade do absorsor para modificar a resposta dinâmica do sistema.
Yet, aumentar m₂ implica penalizações de massa, space, estrutura de suporte e custos.
Therefore, na engenharia prática procura-se obter a maior redução possível utilizando uma massa auxiliar compatível com as restrições físicas da aplicação.

Figure 9 – A influência na amplitude da vibração da razão de massas (µ=m2/m1) do absorsor dinâmico
14. Sintonia do absorsor
A condição básica de sintonia é:
ωₐ = √(k₂/m₂)
Se a frequência de excitação pretendida for conhecida:
ωexc = 2π fexc
então pode selecionar-se a rigidez através de:
k₂ = m₂ωexc²
Esta equação mostra que, escolhida a massa auxiliar, a rigidez necessária pode ser calculada diretamente.
15. Interpretação energética
Uma forma particularmente útil de compreender o absorsor dinâmico consiste em analisar a energia.
- A força de excitação introduz energia no sistema.
- Sem absorsor, uma parte significativa dessa energia pode ser armazenada e dissipada através da dinâmica da estrutura principal, conduzindo a grandes amplitudes de vibração.
- Com o absorsor instalado, parte da energia é transferida para a massa auxiliar.
- O sistema passa a distribuir a energia entre m₁ e m₂.
- A massa auxiliar pode apresentar grandes movimentos, enquanto a massa principal permanece com amplitude reduzida.
Like this, o absorsor funciona como um reservatório dinâmico de energia vibratória.
16. Limitações do absorsor dinâmico
Apesar da sua elevada eficácia, um absorsor dinâmico convencional apresenta algumas limitações.
- Dependência da frequência: um absorsor sintonizado para uma determinada frequência pode perder eficácia quando a velocidade da máquina varia significativamente.
- Grandes amplitudes da massa auxiliar: na região de sintonia, a massa auxiliar pode apresentar amplitudes superiores às da estrutura principal. É necessário garantir que existe espaço físico suficiente para o seu movimento.
- Alteração das frequências naturais: a instalação do absorsor modifica as características dinâmicas do sistema original.
- Sensibilidade à temperatura e envelhecimento: em sistemas que utilizam elementos elastoméricos ou outros componentes cuja rigidez varia com a temperatura, a frequência de sintonia pode deslocar-se.
- Necessidade de manutenção: elementos mecânicos, molas, amortecedores e componentes de ligação podem sofrer desgaste.
17. Absorsores de banda larga
Quando a máquina funciona numa gama significativa de velocidades, um absorsor de frequência fixa pode não ser suficiente.
Nestas situações podem utilizar-se:
- absorsores amortecidos;
- múltiplos absorsores;
- absorsores de massa sintonizada;
- absorsores pendulares;
- absorsores adaptativos;
- absorsores semiativos;
- absorsores com frequência variável.
A utilização de vários absorsores permite distribuir a ação de controlo por diferentes frequências.
18. Absorsores adaptativos
Nos sistemas modernos, o absorsor pode ter uma frequência de sintonia variável.
Se a frequência de excitação da máquina variar de f₁ para f₂, o sistema de controlo pode modificar a rigidez efetiva ou outras propriedades do absorsor para manter:
fₐ ≈ fexc
Esta abordagem é particularmente interessante em máquinas de velocidade variável.
Pode ser utilizada em sistemas nos quais a frequência dominante de excitação acompanha a velocidade de rotação.
19. Exemplo conceptual
Considere-se uma tubagem com: m₁ = 1000 kg
e uma frequência de excitação: fexc = 20 Hz
Pretende-se utilizar um absorsor com: m₂ = 50 kg
A frequência angular de excitação é:
ωexc = 2π(20) ≈ 125,66 rad/s
Para sintonia ideal:
k₂ = m₂ωexc²
resultando aproximadamente:
k₂ = 50(125,66)² ≈ 790 kN/m
O absorsor possui, like this, uma frequência natural próxima dos 20 Hz.
Este exemplo evidencia uma característica importante: uma massa auxiliar relativamente pequena pode modificar significativamente a resposta dinâmica da estrutura principal quando está corretamente sintonizada.
19.1 Extensão do exemplo: amortecimento ótimo do absorsor
Continuando o exemplo anterior, a razão de massas é μ = m₂/m₁ = 50/1000 = 0,05 (5%). Aplicando as fórmulas da secção 12.1:
f_opt = 1/(1+0,05) ≈ 0,952
ζ₂,opt = √[3(0,05) / (8(1,05)³)] ≈ 0,127 (12,7%)
Tomando ωₐ ≈ ωexc = 125,66 rad/s (a sintonia nominal calculada na secção 19), o amortecimento ótimo correspondente do absorsor é aproximadamente:
c₂,opt = 2ζ₂,opt m₂ωₐ ≈ 2(0,127)(50)(125,66) ≈ 1,60 kN·s/m
e a amplitude adimensional máxima que a massa principal ainda apresentaria nos dois picos da resposta ótima seria:
(X₁k₁/F₀)_max = √(1 + 2/0,05) = √41 ≈ 6,40
Este resultado é revelador: o absorsor não amortecido (section 11) pode anular x₁ exatamente na frequência de sintonia, mas essa anti-ressonância é “afiada” e frágil a qualquer desvio de ωexc. O absorsor com amortecimento ótimo troca esse zero perfeito por um comportamento muito mais robusto — a amplitude máxima fica limitada a cerca de 6,4 vezes a deflexão estática em toda a gama de frequências relevante, e não apenas num único ponto.
20. Absorsor dinâmico versus aumento da rigidez
Uma questão importante no projeto é saber se é preferível aumentar a rigidez da estrutura ou instalar um absorsor.
Aumentar a rigidez altera a frequência natural:
ωₙ = √(k/m)
e pode deslocar a ressonância para fora da zona de operação.
O absorsor, on the other hand, procura controlar a resposta sem necessariamente alterar drasticamente a estrutura principal.
Like this:
- Aumento da rigidez: deslocar a ressonância.
- Absorsor dinâmico: controlar a resposta na região de interesse.
In so many cases, a segunda solução pode ser mais simples e economicamente mais favorável.
21. Absorsor dinâmico versus aumento do amortecimento
Outra estratégia consiste em aumentar o amortecimento da estrutura.
O amortecimento reduz a amplitude da ressonância, mas pode exigir materiais, dispositivos ou alterações estruturais significativas.
O absorsor dinâmico utiliza outro mecanismo:
transferência de energia + interferência dinâmica
Pode, therefore, produzir uma redução muito elevada da vibração numa frequência específica.
A escolha entre amortecimento estrutural e absorção dinâmica depende da largura de banda necessária, frequência de operação, espaço disponível, massa admissível e estabilidade das condições de operação.
Uma terceira alternativa, não desenvolvida em detalhe neste artigo, é o isolamento de vibração: em vez de modificar a resposta dinâmica da própria estrutura, interpõe-se um elemento resiliente (mola e/ou amortecedor) entre a máquina e a fundação, reduzindo a força transmitida ao exterior. Ao contrário do absorsor dinâmico — que atua sobre a amplitude de vibração da própria massa principal —, o isolamento atua sobre a transmissibilidade da força para a estrutura de suporte. As duas estratégias são complementares, e não concorrentes: em muitas aplicações práticas são utilizadas em conjunto.
22. Sistemas Mecânicos com 2 Graus de Liberdade e o Absorsor Dinâmico – Conclusion
Os sistemas mecânicos com dois graus de liberdade constituem um dos modelos fundamentais da dinâmica estrutural e da análise de vibrações. A introdução de uma segunda massa permite compreender fenómenos como acoplamento modal, transferência de energia, divisão de ressonâncias e anti-ressonâncias.
O absorsor dinâmico constitui uma aplicação direta destes princípios. Através da introdução de uma massa auxiliar, uma mola e, when necessary, um amortecedor, é possível modificar deliberadamente a resposta dinâmica de uma máquina ou estrutura.
A ideia central não é simplesmente “eliminar” a força de excitação, mas criar uma dinâmica adicional capaz de gerar uma resposta que se oponha à vibração da estrutura principal.
Em condições de sintonia adequada, a amplitude da massa principal pode ser drasticamente reduzida, mesmo quando a força de excitação permanece praticamente inalterada.
Like this, o estudo dos sistemas de dois graus de liberdade não é apenas uma etapa académica da teoria das vibrações: constitui uma ferramenta prática para projetar, diagnosticar e controlar sistemas mecânicos reais, estabelecendo a ligação entre a análise modal e as modernas técnicas de controlo passivo e adaptativo de vibrações.
Resumo de fórmulas
| Greatness | Fórmula |
| Frequência natural (1 GDL) | ωₙ = √(k₁/m₁) |
| Frequência natural do absorsor | ωₐ = √(k₂/m₂) |
| Condição de sintonia | ωₐ ≈ ωexc ⇒ k₂ = m₂ωexc² |
| Razão de massas | μ = m₂/m₁ |
| Razão de sintonia ótima | f_opt = ωₐ/ωₙ = 1/(1+μ) |
| Amortecimento ótimo do absorsor | ζ₂,opt = √[3μ / (8(1+μ)³)] |
| maximum amplitude (ótima) | (X₁k₁/F₀)_max = √(1+2/μ) |
| Frequências próprias (2 GDL) | det(K − ω²M) = 0 → ω₁, ω₂ |
References
Den Hartog, J. P. (1956). Mechanical Vibrations (4.ª ed.). McGraw-Hill.
Rao, S. S. (2011). Mechanical Vibrations (5.ª ed.). Prentice Hall.
Inman, D. J. (2014). Engineering Vibration (4.ª ed.). Pearson.
Kelly, S. G. (2012). Mechanical Vibrations: Theory and Applications. Cengage Learning.



